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“Formar não é só ganhar”

  • José Velosa
  • 22 de mar. de 2020
  • 3 min de leitura

Sou treinador de futebol de formação desde a época 2016/2017, ou seja, há cerca de 4 temporadas nos diversos escalões, desde sub-9, sub-10, sub-13 e sub-18, pelo que gostaria de partilhar convosco algumas ideias e reflexões de um treinador de futebol de formação que já vivenciou várias situações de muita felicidade mas também de pura angústia e tristeza. “Formar não é só ganhar”

É habitual ouvir algumas expressões no dia de jogo - “hoje é para ganhar!” ou “Hoje temos que ganhar!” ou “Campeão, hoje tens que marcar 3 golos” de pessoas obcecadas com vitórias. Isto seria natural se estivéssemos a falar de alta competição, mas nos escalões mais baixos da formação faz sentido? Será que a maior felicidade no fim dos jogos dos nossos jovens atletas é o facto de terem vencido o jogo?

O treinador tem o dever de escolher os objetivos certos (ambiciosos mas atingíveis ao mesmo tempo) para cada jogo para que todo o grupo esteja focado e motivado para os atingir, o que não significa que seja obrigatoriamente GANHAR – depende do contexto do clube, do passado recente e do adversário. Ou seja, ser competitivo num jogo que a equipa adversária é muito mais forte nunca deverá ser considerado uma derrota mas sim uma vitória na evolução e aprendizagem de todos, pois são contra estas equipa que mais se evolui e que mais se aprende – treinador e jogadores. Sim, os treinadores também estão em constante aprendizagem, assim como os seus atletas. Juntos aprendem a cada sessão de treino ou a cada jogo.

Já perdemos e empatamos várias vezes, e confesso que alguns destes resultados me deixaram muito mais orgulhoso e feliz do que quando ganhamos por muitos golos de diferença. Golear uma equipa que não apresenta uma organização dentro de campo ou perder pela margem mínima contra uma equipa que é fortíssima em todos os momentos de jogo? Podem ter a certeza que se todos eles tiverem um momento, basta um momento de sucesso em toda a partida e se este for valorizado no fim do jogo, tanto pelo treinador como pelos pais, o jogador ficará contente e motivado para voltar aos treinos na semana seguinte, mesmo que o resultado tenha sido uma derrota.

Engane-se quem pensa que só perceber de futebol (tático ou técnico) é quem vai ter sucesso no mundo do futebol. Acima de tudo, estamos a treinar ou a liderar homens e, no futebol de formação, ainda com crianças ou adolescentes. Desta forma, o feedback dado no momento certo é uma peça chave para se alcançar o sucesso. A união de um grupo e o respeito entre todos são essenciais para criar sinergias fortes que sustentam a força de um grupo de trabalho. Assim, um treinador de formação trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador, é um educador e uma referência a vários níveis, e deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e sério, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens e manter a confiança destes. Acima de tudo, é importante que o treinador, no futebol de formação, tenha uma sensibilidade muito grande para ter os jogadores todos do seu lado e que, ao mesmo tempo, consiga ensinar e transmitir os maiores valores, comportamentos e gestos de um futuro adulto exemplar. O futebol de formação é, tal como o nome indica, de FORMAÇÃO das crianças do hoje que serão os Homens de amanhã.

Formar não é só ganhar, é evoluir juntos, é também perder e empatar com competitividade!


 
 
 

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