Características essenciais do treinador como referência e exemplo. Bobby Robson, José Mourinho...
- José Velosa
- 14 de jan. de 2022
- 6 min de leitura
A figura e a importância dos treinadores de equipas desportivas, em geral, e dos treinadores de Futebol, em particular, têm sofrido transformações ao longo dos tempos.
Em relação aos treinadores de Futebol, durante a primeira metade do Século XX pouco mais faziam do que organizar o treino e escolher a equipa. Depois disso começaram a sair do anonimato e a marcar decisivamente, com a sua personalidade, os modelos dos clubes e das Seleções Nacionais.
Um dos agentes responsáveis por esta mudança foi a comunicação social, em particular a televisão. À medida que a cobertura televisiva aumentava, aumentava também a visibilidade da figura dos treinadores de Futebol. Eles transformaram-se em figuras emblemáticas, que são a face pública dos seus clubes, assumindo poderes quase místicos. Os treinadores de Futebol fazem parte das celebridades culturais dos nossos dias.
Hoje já não basta treinar muito; é preciso, cada vez mais, não só treinar muito, mas fundamentalmente treinar melhor porque é o processo de treino, cuja responsabilidade cabe inteiramente ao treinador, que determina a qualidade da competição.
Ser excelente como treinador de uma equipa de Futebol, nos tempos de hoje, implicará possuir um determinado tipo de requisitos? Quais serão esses requisitos?
Na minha opinião, os cinco atributos essenciais para um treinador de referência e de sucesso são os seguintes: 1.liderança, 2. os valores (honestidade, honradez, lealdade, sinceridade, fiabilidade e carácter), 3. comunicação, 4. motivação e 5. compromisso.
1. Liderança
Quando nos debruçamos sobre a excelência numa atividade como a de treinador, em que é determinante a gestão de um conjunto mais ou menos alargado de pessoas, acabamos impreterivelmente por esbarrar na questão da liderança.
É a partir desta assunção do papel relevante que os treinadores assumem nas performances de excelência que o estudo dos fenómenos de liderança, tão frequentes em domínios como a política ou a gestão empresarial, começa a incidir objetivamente sobre os treinadores desportivos.
Efetivamente, em termos gerais, liderança pode ser concebida apenas como influência, como arte ou processo de influenciar pessoas através de, pelo menos, uma das cinco bases de poder social: 1. o poder legítimo, em que os seguidores acreditam que o líder, pela posição que ocupa no grupo possui legitimidade para exercer sobre eles a sua influência; 2. o poder coercivo ou sancionatório, onde o líder pode, pela posição que ocupa, punir os seus seguidores, demitindo-os de um determinado cargo, exonerando-os de certas funções; 3. o poder de recompensa, em que o líder possui recursos que os seguidores tendem a valorizar, tais como promoções e nomeações; 4. o poder de referência, onde o líder funciona como magnetizador, polarizador, desempenhando as funções de um pólo de atração que suscita efeitos imitativos nos seus seguidores, que com ele se identificam; 5. e o poder de especialista, em que o líder possui determinadas aptidões e conhecimentos especiais que os seus seguidores sobrevalorizam e, por isso, o seguem.
Na minha opinião, ser um líder é essencial para o respeito da equipa; para que os atletas queiram seguir o exemplo do seu treinador; para que exista a disciplina desejada e para que haja união no grupo de trabalho. Penso que o Sir Alex Ferguson foi um grande exemplo na liderança de uma equipa de topo durante 27 anos.
2. Qualidades intrapessoais
Valores (honestidade, honradez, lealdade, sinceridade, fiabilidade e carácter)
É importante ter carácter, ter valores, princípios e não os sacrificar por vitórias. E isso começa por darmos atenção ao nosso profissionalismo, à nossa ética, e não às dos outros. A coerência deve ser uma constante no trabalho diário de um treinador de futebol.
Neste sentido, para mim há determinados comportamentos que, enquanto comandantes de equipas, os treinadores deveriam adotar: ver, e ajudar os seus atletas a verem, também, os adversários não como inimigos mas como parceiros de jogo que nos ajudam a melhorar o nosso potencial; demonstrar apenas as nossas grandezas e não tentar dominar os adversários; e tolerar as derrotas, aprendendo com elas. Para mim, os grandes campeões já experimentaram os maiores erros e souberam aprender com eles.
Na minha opinião, os bons treinadores têm que ser forçosamente honestos, honrados, têm princípios éticos, falam a verdade aos seus atletas e não os manipulam, pois a mentira faz perder a credibilidade e o respeito. O melhor exemplo e referência é o Sir Bobby Robson - uma das maiores referências para mim enquanto treinador. Recomendo ver um documentário biográfico da sua carreira em (https://filmesonlines.org/assistir-bobby-robson-more-than-a-manager-online-gratis)
3. Comunicação
A comunicação do treinador para dentro e fora do plantel é um tema de elevada relevância, pois sabe-se desde à muito tempo que esta competência pode contagiar e conduzir a ação do treinador para levar os seus jogadores e outras vertentes do treino que dependem da comunicação.
A comunicação é hoje tão importante no futebol como saber de táticas, como saber de todos os outros fatores. Esta perspetiva é defendida com o exemplo da comunicação na conferência de imprensa.
E no meio de tudo isto está o treinador chamado constantemente a opinar sobre a sua equipa e os seus jogadores, os adversários, a modalidade e o desporto português no seu todo, quantas vezes a explicar em plena competição o porquê de algumas decisões.
Reconhecidamente, aquilo que o treinador deixa na comunicação social tem sempre um impacto relevante no resto do processo. A preparação da mensagem que se quer que realmente seja capturada pelos adeptos e outros tem que ser assegurada, pois o treinador tantas vezes provocado pelos jornalistas tem que fazer passar aquilo que considera as “ideias-força” do seu discurso, a mensagem.
É importante ajustar discursos com o conteúdo que se quer que chegue aos ouvidos do adepto e outra assunto é aquilo que os jogadores recebem e a forma com recebem a mensagem quer passar à sua própria equipa. A confiança transmite-se aos jogadores também através disto, é preciso haver esta cumplicidade grande para que se possa jogar com as palavras sem que muitas vezes, para o bem do grupo, esta harmonia de discursos não se desenquadre com o grupo. Melhor exemplo é o Mister Rúben Amorim, na minha opinião claro, que tão bem faz um discurso para dentro e para fora de forma equilibrada e muito sólido.
4. Motivação
Relativamente ao papel da motivação, segundo o entrevistado, esta dimensão parece ser crucial. O treinador, como já foi referido é um líder. O líder no seu processo revela-se um promotor de comportamentos cooperantes com o objetivo da equipa, que maioritariamente são precisos potenciar nos momentos chave, no modo como o líder atua e faz render a sua equipa. Os jogadores evidenciam sentirem-se menos motivados quando não são opção para o treinador.
Na minha opinião, o treinador só tem uma forma de os manter cúmplices no processo é dizer-lhes que: “Só tens um caminho! É trabalhar! Todos os dias. Treinar sempre bem todos os dias! Não desistires!” Ao sugerir ao jogador que ele continue a trabalhar faz com que, de uma forma relativamente explícita, ele encare o treino como um desafio. Um desafio, uma opção de querer mais que aparentemente só depende dele. Por outro lado, revela o cenário a que esse jogador está sujeito se abdicar de trabalhar. “Porque só assim é que pões problemas ao teu treinador. Porque se fizeres ao contrário, só lhes estás a dar trunfos para ele, não aposte em ti.”
Perante estas decisões, faz parte do papel de treinador procurar manter toda a equipa motivada. Aqueles que jogam, mas também todo o resto do plantel que joga com pouca ou nenhuma regularidade. A motivação ligada ao momento do intervalo do jogo tem importância na liderança, uma vez que perante os cenários que podem existir.
O treinador mostra conhecer práticas de motivação de jogadores, nomeadamente, a utilização por vezes do feedback individual em vez do feedback em grupo e vice-versa.
Na minha opinião, é fundamental que os atletas tenham uma motivação intrínseca e não extrínseca; o exemplo Cristiano Ronaldo deve estar na cabeça de qualquer atleta pois se trata de um atleta referência que trabalha para atingir os seus objetivos de elevada exigência. Um treinador deve falar nas suas palestras de jogadores de referência que sejam o exemplo para os jogadores jovens; é essencial que haja este tipo de exercício no balneário de uma equipa de futebol.
Assim, prestamos homenagem à motivação, que na minha opinião é obrigatório o treinador de sucesso ter estratégias disso mesmo. Comprometerem-se com um motivo, que normalmente é comum no seio das equipas que potencia o corpo e a mente para se trabalhar por um objetivo. Melhor exemplo disto são os treinadores José Mourinho e Pep Guardiola, são extremamente enormes na forma como criam mecanismos de motivação nas suas equipas.
5. Compromisso
O compromisso de um treinador de futebol é extremamente importante, na minha opinião, um treinador que está comprometido com o clube, com a equipa e com os objetivos nunca vai baixar os braços, nunca vai deixar de dar o máximo e nunca vai arranjar desculpas para faltar ao treino ou a 1 jogo seja ele oficial ou de treino.
Compromisso é ser o primeiro a chegar aos treinos, o último a sair dos treinos, o primeiro a chegar à concentração dos jogos, o último a sair dos jogos, o primeiro a mostrar o caminho a seguir na hora das vitórias e na hora das derrotas.
Todos os treinadores de sucesso têm um enorme compromisso!

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